Só deixo meu cariri, no último pau-de-arara. Luiz Gonzaga

Ninguém expressou com maior clareza, vivência e conhecimento a palavra Cariri, do que o velho Luiz Gonzaga, que através do refrão de sua música "Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara" externou a realidade de uma região especial.

O nome veio de seus habitantes primitivos: os índios carirís originários de um Lago encantado conforme eles diziam, talvez o rio Amazonas.

Na sua larga peregrinação, viajaram a princípio ao longo do litoral, mas expulsos da beira mar pelos tupiniquins e tupinambás, portadores da língua geral, internaram-se nos sertões onde também há pousos felizes, vales fartos e frescos.

Fato importante de terem sido eles, os carirís, ao lado dos tupis, incorporados em grande parte à atual população do Brasil.

O Cariri é uma das mais peculiares, originais e ricas regiões culturais do País.

Para expressar o reconhecimento dessa especificidade cultural do Cariri, e de sua resistência sertaneja, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou o processo de registro de toda a área no Livro dos Lugares do Patrimônio Imaterial. Será a primeira região do País incluída nesse tipo de tombamento, até então um livro em branco no Iphan.

São dali, daqueles poucos quilômetros quadrados rodeados pela Chapada do Araripe (que os populares costumam chamar de "umbigo do mundo"), na confluência entre os sertões do Ceará, do Piauí, da Paraíba e de Pernambuco, que vieram a poesia de Patativa do Assaré; a música da Banda Cabaçal de Mestre Aniceto e os pífanos de Zabé da Loca; o artesanato de Mestre Noza e das irmãs Cândido.

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